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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Bateu Saudade.


            Me bateu uma vontade louca. Vontade de bater na tua porta. De falar com todo mundo e ir direto pro teu quarto. Fechar a porta, ligar o som, deitar na tua cama, ligar o ar-condicionado e conversar contigo até dormir. Simplesmente conversar sobre tudo que a gente perdeu um do outro até hoje. De como estão os problemas com tua tia, se encontraram teu cachorro perdido, se tua irmã melhorou da doença, e se sua ex-namorada se arrependeu do erro que cometeu e voltou pra ti.
            Vontade de mexer no teu cabelo, fazer cachinhos com os dedos, e contar os sinais das tuas costas. Abrir as gavetas e futricar tudo que tem lá. Você sabe da minha mania de futricar nas coisas dos outros. Descobrir a chave da gaveta trancada enquanto tu vai tomar banho. E fingir que sei de nada.
            Mexer na tua geladeira e ver que, como sempre, só restam azeitonas. Fazer a feira contigo, comprar refrigerante light pra ver se você perde essas “bainhas”. Bagunçar tua cama toda, indo de um lado pro outro pra te acompanhar enquanto você arruma o quarto.
            Por que o tempo foi tão bruto com a gente, né? Afastar assim dois corações que tinham tudo para serem bons amigos. A gente se confundiu tanto, um ao outro e até a si mesmo.
            Eu gosto dessa intimidade que a gente tem. Intimidade de amigo-irmão que mesmo depois de tanto tempo, faz com que sintamos que nada mudou. Te abraçar sem maldade, só com todo o meu amor, e uma tentativa frustrada de te proteger das dores do mundo. Meu amor, meu amigo, meu neném. Meu irmão.

sábado, 30 de junho de 2012

O que há de melhor na simplicidade.


Nem dez por cento das mulheres são como vemos nas propagandas de tv, novelas, ou filmes. O ser humano está tão entrelaçado na diferença, que esqueceu de apreciar a simplicidade. Aquela garota que nem sempre tem uma foto naquele lugar onde poucos vão, com aquela roupa que deixa ela ficar “mulherão”, e com as companhias ditas “certas”, com certeza tem a sua beleza única, e que vai deixar o cara certo de queixo caído, principalmente quando ela estiver sem maquiagem nenhuma, coberta unicamente por um pedaço de pano: o lençol da cama dele.
Apreciar o que há de bonito na simplicidade é a forma mais pura de ver a beleza, como todos falam, em cada detalhe do seu dia. Aquela mecha caída no rosto, escondendo o sorriso bobo, as piadas tentando disfarçar o nervosismo e a vontade de agradar a qualquer custo, ou quando ela olha para você no seu momento de distração, só para tentar gravar seu rosto, tentando não esquecer detalhe nenhum.
            Esse tipo de beleza, que tempo nenhum vai tirar, que idade nenhuma vai fazer ir embora. O tipo de admiração que tem como durar, e faz bem a quem olha e a quem é admirado. A simplicidade, por incrível que pareça, está nas coisas sim-ples. Pode parecer estranho e redundante o que eu acabei de dizer, mas parece que tem gente que não entende muito bem o significado dessa palavra.
Não sou digna de julgar ninguém, mas sinto que as coisas mais importantes vêm sendo deixadas de lado. Então brindemos. Brindemos àquela brisa que vem na hora certa, ou aquele perfume que você encontra no seu cobertor, mesmo depois de pensar que tinha esquecido dele. Daquela nota fiscal que te faz lembrar de como aquela noite andando na rua sem rumo foi boa.
            Guarde tudo. Na memória, no coração, na carteira, no bolso, na alma. Dê valor ao que realmente importa para sua vida, e não para o momento ou as circunstâncias, porque se não, no fim do dia a gente se sente como quem me inspirou este texto disse: “Sem sal, sem tempero e sem sucesso”. 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Mais amor, por favor.


Não consigo entender por que as pessoas hoje em dia se preocupam tanto em odiar, e não mais em amar. Parece até que definir as diferenças ruins entre grupos é realmente a nossa intenção ao estar no mundo.
Os bons sentimentos estão sendo deixados de lado, e qualquer olhar torto ou meias palavras se tornam motivos para inimizades, e pré-conceitos, os tão conhecidos.
O problema é que o ser humano, na sua magnitude (ou não) e egoísmo, vendo todos olhando para si mesmo, resolve seguir o exemplo, e tudo isso vira uma bola de neve.
Qualquer criança percebe que a cortesia de deixar alguém passar na sua frente no trânsito é melhor que correr o risco de bater o carro, que dar o lugar para o idoso é melhor do que saber que alguém que já andou tanto por esse mundão, ainda está se cansando por sua causa. Qualquer ser vivo sabe que ajudar não requer recompensa, e a felicidade do outro já é o bastante para ajudar novamente.
Não se trata de ser idiota, ou trouxa, ou careta, mas sim de ser humano. Se nós nos tornamos tão egoístas por ver os exemplos ao nosso redor, a solução é dar mais exemplos de boas atitudes, e assim a situação se reverterá.
Chega um momento em que percebemos como somos pequenos. Não temos essa noção porque o mundo só nos incentiva a olhar para nosso próprio umbigo, mas ao reerguer a cabeça, e olhando ao redor, vê-se que esse tamanho todo que temos aqui, não é nada se visto mais de cima.
A vida é tão curta para tanto ódio, o mundo é tão grande e tão bonito, nos esperando para ajudar ao próximo sem querer saber o que ele é, ou o que vamos ganhar com isso. Nós somos tão minúsculos, mas se nos unirmos por um bom motivo (e por que não a vivência do amor?), ficaremos gigantes, e essa força é o que nos fará crescer ainda mais.

domingo, 27 de maio de 2012

Aperte os cintos.


Eu sei trocar um pneu. Sei trocar uma lâmpada. Sei pendurar um quadro na parede. E eu sei (embora deteste) matar uma barata. Não gosto nem um pouco da idéia de que os homens de hoje em dia tenham “medo” de mulheres seguras de si.
Tenho inseguranças, claro, já que sou um ser humano cheio de defeitos. Mas do mesmo jeito que me sinto segura de mim mesma, adoraria saber que meu parceiro também é seguro de si. É bom demais saber que meu amor, embora possa viver sem mim, escolha viver comigo. E saber que ao invés de desejar morrer por amor, ou pela falta dele, eu decida viver dele.
             Segurança é independência na hora certa, e dependência requisitada. Quem gosta de gente dependente demais tem algum parafuso solto. Quem não gosta de saber que é o motivo de alguém sorrir ao acordar? Mas quem gosta de saber que a falta de um sorriso pode ser o fim do mundo de alguém? Tudo demais sobra, e tudo que sobra é resto. Não quero restos na minha vida, quem dirá no meu coração.
            Não sou sempre tão decidida, me acho até uma das pessoas mais indecisas que conheço. Mas é bom ter certezas nessa vida, e tenho certeza que me amo, como tenho certeza de poucas coisas nessa vida. Já me chamaram de narcisista, mas sempre sofro mais pela dor alheia do que pela minha. A minha dor sempre passa, mas cabeça do outro é mundo que ninguém enxerga.
            Amar é querer bem, mesmo que estar bem para o ser amado, seja longe de você. E se você se quiser por perto, os outros chegarão mais. Lei da vida: a gente atrai o que transmite.

domingo, 22 de abril de 2012

Dois mil em doze.


Quando se trata de gente, eu só acredito naquilo que posso tocar. Não fisicamente, mas daquilo que posso dizer ter provas concretas de que existe. Posso até levar a sério tudo o que me falarem, mas só terei a certeza de tudo quando ver as provas através das atitudes, principalmente.
Tenho esse pensamento porque sempre me alertaram sobre quão traiçoeiro é o ser humano. Traiçoeiro e inconstante. Para quê esperar levar uma queda para aprender que não devo passar por ali? Basta aprender com a queda dos que foram na frente. 
Confiar, para mim, é algo muito sério. Não digo isso por más experiências, nem nada do tipo. Digo isso porque quando confio em alguém a ponto de mostrar todos os meus "eus", é porque tenho certeza de que esse alguém não vai sair correndo com medo das minhas caras e bocas.
Tenho plena consciência de que não sou normal. Sou bem melhor que isso, para falar a verdade. Mas é preciso coragem para aceitar essa idéia sobre mim, sem chacoalhar um pouco. Se chacoalhar, e daí? Bom saber que saiu da minha vida alguém que não me aceita. Extremista? Talvez. 
Então, antes de dar um passo no escuro, é bom esticar as mãos e tentar perceber no tato o que vem pela frente, para saber se é seguro ou ainda há algum degrau no caminho.

domingo, 1 de abril de 2012

Bom saber.



Me disseram que tenho escrito muito sobre amor. Mas é o meu assunto preferido, tenho que confessar. Eu sou do tipo de pessoa que prefere falar sobre o que não sabe, do que o que sabe. Falar do que não sabemos é tão mais fácil (e divertido). Posso imaginar mil coisas, posso fantasiar e especular mil idéias sem ter que ouvir dizerem que estou errada. Se eu não sei do que eu estou falando, claro que posso estar errada. Mas e daí?
Não que eu não conheça o amor, é claro que o conheço. Tenho contato com ele todo dia, desde o primeiro abrir dos meus olhos. Mas ele se disfarça tão bem no meu peito que só depois percebo que é amor. Em todas as suas cores, intensidades e maneiras de se mostrar para mim.
Só que eu acho que o amor-paixão é como uma dor. Você só sabe onde é e como é, quando sente. Você pode falar dela depois, claro, mas nunca será exatamente como a dor realmente é. Pensei em outro exemplo para isso, mas não encontrei. Como uma cor. Uma cor. Como se descreve uma cor? Me fale sobre o Ciano. Só saberei mesmo como é o ciano quando vê-lo. Pronto, uma cor.
Falar do que não se sabe é muito mais confortante, porque não preciso estar caída ao chão para poder falar daquele sentimento que te faz ficar assim. Falar do que não sei é menos doloroso, neste caso. Mas eu amo o tempo inteiro, de maneiras sempre diferentes.
Engraçado demais isso. Há um tempo, amor era amor e pronto. E a cada experiência, descubro coisas novas. Amor é raiva, é indecisão, dor de estômago, soco no coração e carinho na cabeça. Será?
Mais engraçado ainda é que ali em cima, onde escrevi “amor era amor”, o programa de texto quis me corrigir, bem no “era”. E ele está certo. Amo não era, amor é e sempre será amor. Bem lembrado. Bom saber.

terça-feira, 20 de março de 2012

Trislegria.


Engraçado como a tristeza desperta na gente coisas que a alegria muitas vezes não desperta. Na alegria a gente está tão ocupado sendo feliz que não para pra pensar em um monte de coisa, já na tristeza, a gente tem tempo para pensar em tudo, e às vezes pensa até demais.
            Quando Clarice me falava que ser feliz tomava todo o tempo dela e que ela não tinha mais tempo para nada, eu não acreditava, mas comecei a entender. A gente não tem tempo pra nada, ser feliz consome TODO o tempo que temos.
            Se for para colocar na balança, a tristeza muitas vezes é razão, e a felicidade é emoção. Quando você está tão feliz, tão extasiado, que só consegue pensar no objeto/ser que te traz felicidade. Na tristeza a gente pensa no aqui, no depois, no ali, no onde, no quando... Em coisas que só paramos para nos dar conta, naquela horinha em que o coração sangra um pouco.
            Algumas vezes, prefiro a tristeza por ela me fazer pensar, do que a alegria que me faz parecer uma idiota sorrindo para árvores. Mau de gente curiosa é ficar matutando tudo que vê pela frente. “Como esse cara colocou esse cabo aqui? Por quê? Como é feita essa casa?”, esse tipo de coisa.
            Mas quando a gente está nesse estágio de não-pensamento, tudo vale a pena. Tão a pena, que é uma pena depois de uma alegria na minha vida, sempre vir uma rasteira. Seja um beliscão ou uma queda daquelas que a gente nunca esquece.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Amores que duram para sempre.

Eu me pergunto se tem caso de amor que dura para sempre. Eu sei que eu deveria acreditar no amor para sempre, e uma parte de mim eu sei que acredita. Mas eu falo daquela coisa do amor que te deixa de cama, no bom e no mau sentido. Aquele friozinho na barriga de quando ele ou ela vem falar contigo, e tu não consegue sentir mais nada além de tudo se revirando ali dentro. Aquele "frisson" de quando ele ou ela te abraça, e tu esquece de tudo, dos problemas e das soluções. Aquele brilho nos olhos de quando tu está esperando por ele ou ela, e eis que surge a luz lá longe, e tu não consegue disfarçar o sorriso no canto da boca. Eu falo de quando tu recebe uma mensagem dele ou dela, e todo mundo sabe de quem é. Até quem te vê na fila do pão, ou lendo jornal, como já disse o barbudo lá.
Eu me pergunto porque o mundo me faz acreditar que tudo que bom dura pouco, que toda relação esfria, e que a gente acaba se acostumando com tudo. Não quero que acabe, não quero me acostumar, não quero esfriar. Sou quente, quente porque meu sangue corre pelas veias e porque estou sempre em movimento. Quando (e se) você me vir parada olhando fixamente para algum lugar, pode ter certeza que não vai demorar muito para eu colocar algum plano meu em prática. E não tem pra esperar a segunda-feira pra começar alguma coisa, a hora é agora.
Espero que a vida me faça discordar do resto do mundo e me faça apreciar essa não-fazer-parte. Que o mundo pense positivo por nós e que tudo dê certo. Amém.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Quem sabe?


Talvez um dia eu faça tudo que sempre tive vontade de fazer mas nunca fiz. Como aquela viagem que vivo adiando, ou aquela dieta... Talvez um dia tudo dê certo, e a gente se reencontre mais na frente. Quem sabe mais lá na frente, tudo se esclareça, e eu descubra que tudo deveria ter acontecido exatamente do jeito que aconteceu. Talvez não, com certeza. Sei que tudo se justifica mais na frente, e eu só vou precisar assistir e ligar os pontos.
Quem sabe um dia eu decore os acordes de uma música sequer e consiga tocar no violão, ou consiga tocar Hangar 18 no guitar hero sem perder no solo final. Talvez eu crie coragem para colocar em prática todos os planos que faça na minha cabeça. Eu vou entrar em slowmotion, balançar os cabelos, dizer “ei, você!” e um “to be continued...” vai aparecer na tela. Ou não. 
Talvez um dia eu pare de imaginar as cenas na minha cabeça, e comece a imaginar coisas que realmente possam acontecer. E quem sabe um dia eu termine esse texto com “Um dia eu fui lá e...”.